Páginas

Mostrando postagens com marcador POLÍTICA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador POLÍTICA. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

PASSAGEM PELA POLÍTICA



"Eu visitava os eleitores, de casa em casa, batendo em algumas ruas a todas as portas ... Doía ver o quanto custava a essa gente crédula a sua devoção política. Uma vez ... entrei na casa de um operário, empregado em um dos arsenais, para pedir-lhe o voto. Chamava-se Jararaca, mas só tinha de terrível o nome. Estava pronto a votar por mim, tinha simpatia pela causa, disse-me ele; mas votando, era demitido, perdia o pão da família; tinha recebido a chapa de caixão ( uma cédula marcada com um segundo nome, que servia de sinal), e se ela não aparecesse na urna, sua sorte estava liquidada no mesmo instante.
 ... Estou pronto a votar pelo senhor...
'....Não, não é preciso', respondi-lhe, 'vote como o governo, não deixe de levar a sua chapa de caixão, não arrisque à fome toda essa gentinha que está me olhando' (quatro crianças pequenas)... 'Há de vir tempo em que o senhor poderá votar em mim livremente, até lá, é como se tivesse feito'.. E saí com medo que ele se arrependesse e fosse votar em mim."

Fonte: Joaquim Nabuco. Minha formação. Topbooks, p 187.


domingo, 6 de julho de 2014

SUCESSO, SORTE E HUMOR



“O sucesso consiste em ir de fracasso em fracasso sem perder o entusiasmo.”

“Aquilo a que chamas sorte é o cuidado com os pormenores.”


Da deputada Nancy Astor, para Churchill: “Se o senhor fosse meu marido, eu lhe daria veneno.”

Resposta de Churchill: “Se eu fosse seu marido, eu tomaria.”

sábado, 17 de maio de 2014

A ANÁLISE DE UM CANDIDATO

Após ler no artigo, É proibido parar de mentir, do escritor e filósofo Olavo de Carvalho, uma lista com sete aspectos mínimos que um eleitor deveria saber sobre o seu candidato, e levando em conta que no Brasil o voto é obrigatório, é impossível não se perguntar: quantos são os eleitores que realmente conseguem fazer tal distinção antes de comparecerem as urnas? E quanto aos que conseguem, será que estão com disposição para tal "investigação"?

Segue as dicas do artigo:

O eleitor deveria (no mínimo) conhecer sobre o candidato:
1.      A sua imagem publicitária, o ‘personagem’ criado pela campanha, o qual pode coincidir em mais ou em menos com a sua personalidade real.
2.      Seu programa de governo ou plano de ação, considerado na sua pura lógica interna.
3.      A comparação entre esse plano e a situação externa objetiva que ele promete alterar ou corrigir.
4.      As correntes de pensamento atuais ou pretéritas que, de maneira mais próxima ou mais remota, se refletem nesse plano.
5.      Os grupos políticos, econômicos e culturais que apoiam o candidato de maneira ostensiva ou discreta.
6.      A posição real do candidato ante esses grupos, seja como seu líder efetivo, como parceiro permanente ou temporário ou como agente e serviçal.
7.      As alternativas reais ou possíveis contra as quais sua candidatura se opõe de maneira explícita ou velada.

sábado, 10 de maio de 2014

O REINO DA MENTIRA

“Mentira toda ela. Mentira de tudo, em tudo e por tudo. Mentira na terra, no ar até no céu, onde, segundo o padre Vieira (que não chegou a conhecer o Sr. Urbano Santos), o próprio sol mentia ao Maranhão, e direis que hoje mente ao Brasil inteiro. Mentira nos protestos. Mentira nas promessas. Mentira nos programas. Mentira nos projetos. Mentira nos progressos. Mentira nas reformas. Mentira nas convicções. Mentira nas transmutações. Mentira nas soluções. Mentira nos homens, nos atos e nas coisas. Mentira no rosto, na voz, na postura, no gesto, na palavra, na escrita. Mentira nos partidos, nas coligações e nos blocos. Mentira dos caudilhos aos apaniguados, mentira dos seus apaniguados à nação. Mentira nas instituições. Mentira nas eleições. Mentira nas apurações. Mentira nas mensagens. Mentira nos relatórios. Mentira nos inquéritos. Mentira nos concursos. Mentira nas embaixadas. Mentira nas candidaturas. Mentira nas garantias. Mentira nas responsabilidades. Mentira nos desmentidos. A mentira geral. O monopólio da mentira. Uma impregnação tal das consciências pela mentira, que se acaba por se não discernir a mentira da verdade, que os contaminados acabam por mentir a si mesmos, e os indenes, ao cabo, muitas vezes não sabem se estão, ou não estão mentindo. Um ambiente, em suma, de mentiraria, que, depois de ter iludido ou desesperado os contemporâneos, corre o risco de lograr ou desesperar os vindouros, a posteridade, a história, no exame de uma época, em que à força de se intrujarem uns aos outros, os políticos, afinal, se encontram burlados pelas suas próprias burlas, e colhidos nas malhas da sua própria intrujice, como é precisamente agora o caso.”




Fonte: ANTOLOGIA. Rui Barbosa. Editora Saraiva p.28

Conferência proferida na Associação comercial do Rio de Janeiro, em 8 de março de 1919, por ocasião da campanha presidencial em que teve como antagonista o senador Epitácio Pessoa.