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quarta-feira, 22 de julho de 2015

NUNCA NOS RENDEREMOS

13 de maio de 1940
We Shall Fight on the Beaches
"Muito embora grandes extensões da Europa e antigos e famosos Estados tenham caído ou possam cair nos punhos da Gestapo e de todo o odioso aparato do domínio nazista, nós não devemos enfraquecer ou fracassar.Iremos até ao fim. Lutaremos na França. Lutaremos nos mares e oceanos, lutaremos com confiança crescente e força crescente no ar, defenderemos nossa ilha, qualquer que seja o custo.Lutaremos nas praias, lutaremos nos terrenos de desembarque, lutaremos nos campos e nas ruas, lutaremos nas colinas; nunca nos renderemos, e se, o que eu não acredito nem por um momento, esta ilha, ou uma grande porção dela fosse subjugada e passasse fome, então nosso Império del além-mar, armado e guardado pela Frota Britânica, prosseguiria com a luta, até que, na boa hora de Deus, o Novo Mundo, com toda a sua força e poder, daria um passo em frente para o resgate e libertação do Velho."  Sir Winston Churchill


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

PASSAGEM PELA POLÍTICA



"Eu visitava os eleitores, de casa em casa, batendo em algumas ruas a todas as portas ... Doía ver o quanto custava a essa gente crédula a sua devoção política. Uma vez ... entrei na casa de um operário, empregado em um dos arsenais, para pedir-lhe o voto. Chamava-se Jararaca, mas só tinha de terrível o nome. Estava pronto a votar por mim, tinha simpatia pela causa, disse-me ele; mas votando, era demitido, perdia o pão da família; tinha recebido a chapa de caixão ( uma cédula marcada com um segundo nome, que servia de sinal), e se ela não aparecesse na urna, sua sorte estava liquidada no mesmo instante.
 ... Estou pronto a votar pelo senhor...
'....Não, não é preciso', respondi-lhe, 'vote como o governo, não deixe de levar a sua chapa de caixão, não arrisque à fome toda essa gentinha que está me olhando' (quatro crianças pequenas)... 'Há de vir tempo em que o senhor poderá votar em mim livremente, até lá, é como se tivesse feito'.. E saí com medo que ele se arrependesse e fosse votar em mim."

Fonte: Joaquim Nabuco. Minha formação. Topbooks, p 187.


terça-feira, 2 de setembro de 2014

VAIDADE X SOBERBA

Bela explicação do professor Luiz Gonzaga que é um dos maiores estudiosos brasileiros na atualidade sobre Religião Comparada sobre como uma pessoa imoral pode torna-se moral.

"É muito importante diferenciar  a soberba da vaidade "



quinta-feira, 12 de junho de 2014

A RESPEITO DO DEVER


Robert Lee (1807-1870) escreveu esta carta a seu filho G.W.Curtis Lee que estava no colégio interno.

Estude e seja franco: a franqueza é filha da coragem e da honestidade. Diga o que pretende fazer em todas as ocasiões e se certifique de fazer o que é correto. Se um amigo pedir um favor, faça, se for razoável; se não for, explique simplesmente por que não vai fazer; você estará enganando a ele e a si mesmo se alegar pretextos de qualquer natureza. Não faça nada incorreto para ganhar ou manter uma amizade, quem pedir para fazê-lo está pronto a se vender, e o preço é um sacrifício muito caro. Tenha uma atitude gentil porém firme com todos os seus colegas; você verá que é a melhor política. Acima de tudo não tente parecer o que não é. Se tem queixa de alguém fale com ele e não com outros; nada é mais perigoso do que ser uma coisa na frente de alguém e outra pelas costas. Devemos viver, agir e falar sem jamais ofender ou ferir outra pessoa. Não só é melhor por uma questão de princípios, mas por ser o caminho da paz e da honra.

A respeito do dever, quero, concluindo essa carta apressada, informar a você que, cerca de cem anos atrás houve um dia de inesquecível escuridão e tristeza – até hoje conhecido como o “dia negro” -, um dia em que a luz do sol se extinguiu aos poucos, como num eclipse. A assembleia de Connecticut estava em sessão, e, quando os participantes viram chegar a escuridão inesperada e inexplicável, foram tomados de espanto e terror. Muitos pensaram que era chegado o último dia – o dia do juízo final. Na aflição daquele momento, alguém propôs um recesso. Mas Davenport, um velho puritano de Stanford, levantou-se para dizer que, se o dia do juízo final havia chegado, ele queria ser encontrado em seu lugar, cumprindo seu dever, e propôs que mandassem trazer velas para prosseguir com a sessão. Esse homem tinha tranquilidade, a tranquilidade da sabedoria celeste e da inflexível vontade para obedecer ao dever de cada momento. Dever é, pois, a mais sublime palavra da nossa língua. Cumpra seus deveres como o velho puritano. Você não pode fazer mais que isso e não deve jamais desejar fazer menos. Não permita que eu e sua mãe tenhamos um só fio de cabelo branco por qualquer falha da sua parte no cumprimento do dever. 



Fonte: O Livro das Virtudes II O Compasso Moral. Editora Nova Fronteira p 480

quarta-feira, 28 de maio de 2014

A IMUTABILIDADE DA VERDADE

“O fato de que as pessoas mudaram de ideia sobre se a Terra é plana ou redonda não muda em nada a verdade sobre a questão.”


Quantas vezes você já escutou que a verdade não existe, ou que a verdade é relativa (depende do ponto de vista)? Saber o que é verdadeiro ou falso sobre as grandes questões exige esforço, por outro lado, qualquer pessoa sabe distinguir muito bem a verdade, quando diz uma mentirinha. Não adianta buscar as verdades supremas sem antes atentar para as questões mais simples do cotidiano.
O professor Mortimer Adler participava de um programa na tv americana, onde explicava diversos temas interessantes para a vida no geral, depois o programa deu origem ao livro: Como Pensar sobre as Grandes Ideias. Eis umas das perguntas sobre a verdade, respondidas pelo professor Adler:
A verdade é eterna ou imutável?
“ Não há dúvida de que as pessoas mudam de ideia, de que a raça humana, através dos tempos, passa da sabedoria ao erro e do erro à sabedoria nas opiniões que carrega. Mas essa é uma mudança na mente humana, não uma mudança na verdade ou no que é verdadeiro. Por exemplo, a ideia de que a Terra era plana, se uma vez foi falsa, sempre será falsa. E na ideia oposta, de que a Terra em que vivemos é redonda, se uma vez foi verdadeira, será sempre verdadeira. O fato de que as pessoas mudaram de ideia sobre se a Terra é plana ou redonda não muda em nada a verdade sobre a questão.
Mas supondo que a Terra resolva mudar a si mesma e subitamente fique plana ou oblonga ou alguma outra coisa, a afirmação de que a Terra é redonda não ficaria falsa? Não, porque, se fosse suficientemente cuidadoso e preciso, eu diria que desde o princípio até este ano a Terra tem sido redonda. Logo, se no próximo ano a Terra mudasse sua forma, minha afirmação continuaria verdadeira, porque sempre permaneceria verdadeiro de que até esse ano a Terra tem sido redonda. Portanto, creio ser razoável dizer que a verdade em si mesma é imutável, mesmo se nós, como seres humanos, não a possuirmos de modo imutável.“


quarta-feira, 16 de abril de 2014

VALOR E SIGNIFICADO: UMA PEQUENA CONFUSÃO

"Não é papel do indivíduo, preso na própria vaidade, determinar se prefere a justiça ou a injustiça; não é o seu papel decidir se a prudência ou a imprudência lhe agrada mais."


Ao ler as palavras de Russel Kirk sobre o deserto educacional que existe hoje, percebi nitidamente que desde criancinha fiz parte de uma escola denominada: escola positivista. Neste ambiente, destaca-se dentre muitas coisas, a preocupação em aprender técnicas, a excessiva preocupação com a socialização, e uma preocupação exagerada com os certificados, os títulos e diplomas.
Fui ensinado nesta perspectiva e acredito que grande parte de quem frequentou os bancos escolares nas décadas de oitenta também passou por este ambiente doutrinário.
Além disso, outra característica do ambiente escolar que frequentei era a indisciplina, hoje provavelmente está bem pior. A indisciplina que hoje é percebida no ambiente escolar, às vezes ultrapassa os limites das escolas indo parar nas delegacias, isto certamente indica alguma coisa e são muitas as opiniões por aí.
Como não adianta apenas opinar sobre um assunto sem antes tentar compreender o que acontece efetivamente, ou pelo menos, entender parte desta realidade, buscar o que os grandes estudiosos dizem pode ajudar.
Antes de ser uma mera desordem comportamental, a indisciplina caminha ao lado de uma desordem da linguagem no meio educacional.
O que tem a linguagem com toda essa estória? As artimanhas da linguagem são desvendadas por Russel Kirk, que inicialmente vai diferenciar duas palavras muito usadas na educação, “valores” e “significado”, estes termos atualmente são usados sem critério.
A transmissão de significado é uma coisa, a transmissão de valores é outra bem diferente. Dissimular o uso da palavra valor como sendo “norma”, “princípio”, “verdade” é um artifício dos doutrinários positivistas, que negam existir qualquer significado moral de caráter permanente e transcendente. Nos EUA o uso do termo “valores” educacionais foi inserido pela escola instrumentalista, que pretende substituir as pressuposições religiosas sobre a existência humana, que antes eram aceitas como verdadeiras nas escolas.
“Um valor, da forma como os pedagogos empregam o termo, é uma preferência pessoal, que gratifica talvez a pessoa que a ele adere, mas que não tem nenhum efeito moral obrigatório para as outras. ‘Desde que a quantidade de prazer permaneça igual, boliche é tão bom quanto poesia’ na famosa frase de Jeremy Bentham (1748-1832). Escolha os valores que quiser, ou ignore-os todos: é uma questão do que dá, ao indivíduo, o máximo prazer e a mínima dor.
Etiénne Gilson (1884-1978) nota que os positivistas promovem deliberadamente o conceito de ‘valores’ porque negam que as palavras, ou os conceitos por elas representados, tenham significado real. Portanto a palavra ‘honra’ poderá possuir algum valor para alguns, mas ser repelente para outros: na visão do positivista, a palavra ‘honra’ não tem sentido próprio, pois não existe honra, sem desonra: tudo é na verdade sensação física, agradável ou dolorosa. Se a ‘honra’ tem um valor ilusório, use-a; se não gostas de ‘honra’, descarte-a.
“Foi-se o tempo em que cada criança em idade escolar estava familiarizada como o catálogo das sete virtudes, teologais e cardeais, bem como os sete pecados capitais. Os positivistas e um bom número de outras pessoas negam, hoje, a existência desses sete pecados capitais, ou qualquer outro pecado. Quanto às virtudes – ora, gostaríamos de transformá-las em ‘preferências de valor’, sem imperativo moral algum para sustentá-las; mas a justiça, a fortaleza, a prudência e a temperança não são meramente ‘valores’; nem o são a fé, a esperança e a caridade. Não é papel do indivíduo, preso na própria vaidade, determinar se prefere a justiça ou a injustiça; não é o seu papel decidir se a prudência ou a imprudência lhe agrada mais. É verdade, o indivíduo pode assim decidir e agir, trazendo danos a outros e a si mesmo; mas é função da educação transmitir uma herança moral: ensinar que as virtudes e os vícios são reais, e que o indivíduo não está livre para brincar com os pecados conforme achar melhor.”
É muito evidente que Russel kirk define muito bem o assunto, e estas palavras certamente estão além de uma mera opinião, são frutos de estudos. E como estamos no país onde o diploma vale muito, é importante lembrar que Russel Kirk possuiu muitos, foi mestre em História pela Duke University e doutor em Letras pela University of St. Andrews na Escócia, também foi ao longo da vida agraciado com 12 doutorados honoris causa.


Fonte: Russel Kirk. A Política da Prudência, p 309. Editora: É Realizações.

quinta-feira, 27 de março de 2014

O MÉTODO BELGA


 
Certa vez um conhecido me contou que quando estudava em um colégio de primeira linha da zona sul carioca, teve um professor de matemática que era um pouco diferente do habitual, de origem belga, era um conceituado engenheiro que estava no Brasil desenvolvendo algum projeto voltado para a construção civil.
Na sala de aula, o professor engenheiro, tinha o costume de, após explicar a matéria, lançar um problema matemático no quadro negro, e desafiar a todos. Não passava para outra questão até que aquela fosse devidamente resolvida. Solicitava aluno por aluno até encontrar alguém que pudesse responder corretamente, e isso poderia durar horas, até mais de uma aula se fosse necessário.
E para piora, o detalhe mais excêntrico é que este professor tinha o costume de não prostituir as palavra do dicionário, era do tipo de pessoa que não confundia “sim” com “não”. Algumas vezes chamava os alunos de ignorantes, quando estes respondiam alguma atrocidade referente a sua matéria. Falava então num sotaque caracteristicamente forte: “Os senhores são ignorrrântes!” O mestre, também tinha por costume, usar a expressão “senhores” no trato com os alunos.  
Um belo dia, eis que um dos líderes da classe, destes que fazem parte da “turma do fundão” (alunos que sentam nas últimas fileiras) resolveu reivindicar. O líder novato esgotado das humilhações lançadas pelo professor decidiu exigir mais respeito, e numa ação repentina, impensada, levantou da cadeira, estufou o peito, e exigiu atenção:
_ Prooo-feees-sor! Você não pode chamar a gente de ignorante!
A turma ficou surpreendida, todos se viraram para o novo líder, assustados, preocupados com a reivindicação.
O professor achou aquilo curiosíssimo, mas a sua fisionomia permaneceu inalterável, diante dessa interrupção abrupta esperou alguns segundos e perguntou com a voz mais calma do mundo:
_ Não posso?
E o líder novato, replicou firmemente:
_ Não!
O professor resolveu confirmar:
_ O senhor afirma que não posso lhe chamar de “ignorrânte”?!
_ Afirmo. Isto é um absurdo!
O professor com uma cara nunca vista antes, resolveu investigar os motivos não apresentados pelo aluno, pausadamente perguntou:
_ Mas por que o senhor diz que não posso lhe chamar de ignorrrânte?
_ Veja bem, professor nós somos do colégio tal - e bradou em alto em bom tom o nome do colégio – nós somos alunos da turma tal - e sublinhou que essa turma era destacada das outras, e que por isso exigia mais respeito no linguajar.
Diante dos argumentos, o professor ficou com aquele olhar fixo, distante.
_ O senhor está me dizendo que aqui é o melhor colégio?
_ Nosso colégio é o melhor da zona sul, professor!
_ E o senhor está me dizendo que essa é a melhor turma do melhor colégio da região?
_ Somos a melhor turma do colégio, melhores notas e fazemos parte da turma especial, esse linguajar é inapropriado.
Neste exato momento algo mudou, todos perceberam que a cara do professor não estava tão boa quanto antes. A ficha caiu, ele tinha concluído alguma coisa que não cheirava bem.
_ O senhor está me dizendo, e vejo que PARECE ACREDITAR VERDADEIRAMENTE no que diz. Mas o melhor COLÉGIO com a melhor TURMA é incapaz de resolver este probleminha que se encontra no quadro?

_ É professor mas...

O professor já tinha calculado tudo e encerrou, com aquela voz em tom de falsete, meio desafinada, que sai fina e termina grave:
_ MAS SENHOR IGNORRAA! PORTANTO O SENHÔÔR É UM IGGNORRRÂnteee

O sotaque do professor ficava mais engraçado quando aparentava estar indignado.A turma veio abaixo,muitas gargalhadas e aula terminou ali! 
Passado esse episódio, constatou-se que entre mortos e feridos, ninguém saiu traumatizado. O aluno protagonista ficou mais cuidadoso com as ideias e fatos que às vezes se misturavam estranhamente na sua cabeça.
Meses mais tarde, o professor disse para um aluno que havia resolvido no quadro um dos seus problemas, este em especial bem caprichado na dificuldade.
_É a primeira vez que vejo alguém resolver esse problema desta forma, mas a resposta está absolutamente certa. Na minha disciplina o senhor pode se considerar APROVADO!

domingo, 23 de março de 2014

A DECISÃO DE UM INDIVÍDUO


Em 1939, pouco tempo antes de explodir a Segunda Guerra Mundial, um médico inglês que passava pela Tchecoslováquia, ficou impressionado com a situação de medo ali existente. Presenciou uma atmosfera de forte tensão, devido ao crescente domínio da Alemanha nazistas. Então, decidiu fazer o que parecia impossível, elaborou um plano ousado para tentar resgatar crianças judias que se encontravam em grande perigo.
Este fato só foi descoberto anos mais tarde quando sua esposa arrumava o porão da casa. No meio de arquivos antigos, ela descobriu uma mala com documentos confidenciais que foram usados no resgate de 669 crianças judias.
Ao ver tais documentos a esposa ficou surpreendida, nem mesmo ela sabia sobre esse resgate organizado pelo marido. O episódio tornou-se público e o senhor Winton, recebeu uma série de homenagens, inclusive da rainha da Inglaterra.
No entanto homenagem mais surpreendente ocorreu durante um documentário realizado pela BBC e frente a um auditório lotado, no qual a apresentadora diz para Winton que a senhora sentada ao seu lado tinha sido salva por ele.
A apresentadora então, pergunta:
Quem na plateia teve a vida salva por Nicolas Winton, por favor, fique de pé?

sexta-feira, 7 de março de 2014

O HOMEM QUE DIZIA A VERDADE


Uma das vaidades do Rei Dionísio era se considerar poeta. Não perdia uma oportunidade de fazer versos. Tinha uma infinidade de bajuladores que aplaudiam todos os seus versos.
Já um tanto cansado desses aplausos garantidos o Rei decidiu chamar um filósofo chamado Filoxeno para assistir suas apresentações.
Filoxeno foi ao palácio, assistiu toda apresentação, e Dionísio esperando todos os elogios que achava justo. Mas para surpresa geral o filósofo afirmou que os versos eram horríveis e não mereciam ser chamados de poesia, e muito menos o autor ser chamado de poeta. O Rei ficou fora de si diante de tamanha sinceridade. E transtornado chamou os guardas e ordenou a prisão do filósofo.
Foi uma comoção geral na cidade, os amigos de Filoxeno ficaram indignados com o ocorrido e enviaram uma carta solicitando a liberdade de filósofo.
Preocupado com a ira dos súditos ou talvez com alguma outra intenção o fato é que o Rei concordou libertar o filosofo e convocou um novo jantar.
Filoxeno foi. Ao fim do grande banquete, na presença de todos os cortesãos, o rei se levantou e declamou novos versos que tinha composto nos últimos tempos. Queria que o filósofo que só dizia a verdade ouvisse pois achava os extremamente bons. Toda corte teceu muitos elogios. Apenas Filoxeno permanecia em silêncio, sem dizer uma só palavra, sem nenhuma expressão facial.
Isto não era exatamente o que Dionísio esperava. Controlou a impaciência o quanto pode. Vendo que Filoxeno não se manifestava, o tirano dirigiu-se a ele com pretensa calma e, achando que ele não ousaria provocar novamente sua ira, perguntou:
_Diga-me, Filoxeno, sua opinião sobre este meu novo poema.
De fato, ninguém esperava a resposta que ele deu. Pois, dando as costas aos participantes do banquete, Filoxeno dirigiu-se aos guardas e disse, em tom de repugnância:
_ Levem-me de volta ao calabouço!
Todos ficaram horrorizados com a declaração. Apavorados aguardaram a decisão de Dionísio. Mas embora vaidoso o tirano respeitou pela coragem moral e deixando os cortesãos trêmulos de medo, voltou-se com um sorriso para o imperturbável Filoxeno e deu-lhe permissão para ir em paz.


Trecho adaptado do conto: O homem que dizia a verdade O livro das virtudes II O compasso moral