Páginas

quinta-feira, 1 de maio de 2014

A ARTE DE LER LIVROS



A leitura das listas de autores, títulos e resumos das obras faz parte do que Adler chama de leitura inspecional, trata-se de uma sondagem ampla para que você escolha os títulos que pretende ler. Segue abaixo alguns títulos que Mortimer Adler destacou:

1.       Homero (século IX a.C.?)
               Ilíada
               Odisseia
2.       Velho Testamento
3.       Ésquilo ( 525-456 a.C.)
Tragédias
4.       Sófocles (495-406 a.C.)
Tragédias
5.       Heródoto 484-425 a.C.)
Histórias das Guerras Persas
6.       Eurípedes ( 485-406 a.C.)
Tragédias (especialmente Medeia, Hipólito, Bacantes)
7.       Tulcídides (460 -400 a.C.)
Histórias da Guerra do Peloponeso
8.       Hipócrates (460-377 a. C.)
Textos médicos
9.       Aristófanes (448-380 a.C)
Comédias ( especialmente As Nuvens, Os Pássaros, As Rãs)
10.   Platão ( 427-347 a.C.)
Diálogos ( especialmente República, Banquete, Fédon, Mênon, Apologia de Sócrates, Fedro, Protágoras, Górgias, Sofista, Teeteto)
11.   Aristóteles (384-322 a.C.)
Obras ( especialmente Organon, Física, Metafísica, Da alma, Ética a Nicômaco, Política, Retórica, Poética)
12.   Epicuro (341-270 a.C.)
Carta a Heródoto
Carta a Meneceu
13.   Euclides ( 300 a.C)
Elementos de Geometria
14.   Arquimedes (287-212 a.C.)
Obras (especialmente Do Equilíbrio dos Planos, Dos Flutuantes, O Arenário)
15.   Apolônio de Perga (240 a.C.)
Sobre as Seções Cônicas
16.   Cícero ( 106-43 a.C.)
Obras ( especialmente Orações, Da Amizade, Sobre a Velhice)
17.   Lucrécio (95-45 a.C.)
Sobre a Natureza das Coisas
18.   Virgílio (70-19 a.C.)
Obras
19.   Horácio (65-8 a.C.)
Obras ( especialmente as Odes e as Epodos, e A Arte da Poesia)
20.   Lívio ( 58 a.C. – 17 d.C.)
História de Roma
21.   Ovídio ( 43 a.c. – 17 d.C.)
Obras (especialmente as Metamorfoses)
22.   Plutarco (45-120)
Vida dos Nobre Gregos e romanos
Moralia
23.   Tácito (55-117)
Histórias
Anais
Agrícola
Germânia
24.   Nicômaco de Garasa (?-110)
Introdução à Aritimética
25.   Epicteto ( 60-120)
Discursos
Enchyridion (Manual)
26.   Ptolomeu (100-178)
Almagesto
27.   Luciano (120-190)
Obras ( especialmente  Sobre o modo de Escrever História, Uma História Verídica, Leilão de Vidas)
28.   Marco Aurélio (121-180)
Meditações
29.   Galeno (130-200)
Sobre as faculdades Naturais
30.   Novo Testamento
31.   Plotino
Enéadas
32.   Santo Agostinho
Obras (especialmente Sobre o Ensino, Confissões, A Cidade de Deus, A Doutrina Cristã)
33.   A Canção de Rolando (século XII?)
34.   A Canção do Nibelungo (século XIII)
(A Saga dos Volsungos é a versão escandinava dessa mesma lenda.)
35.   A Saga de Njal
36.   Santo Tomás de Aquino
Suma Teológica
37.   Dante Alighieri ( 1265-1321)
Obras ( especialmente Vida Nova, Sobre a Monarquia e A Divina Comédia)
38.   Geoffrey Chaucer (1340-1400)
Obras ( especialmente Troilo e Créssida e Os Contos de Canterbury)
39.   Leonardo da Vinci
Cadernos
40.   Nicolau Maquiavel (1469-1527)
O príncipe
Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio
41.   Erasmo de Rotterdam
O Elogio da Loucura
42.   Nicolau Copérnico (1473-1543)
Sobre as Revoluções das esferas Celestiais
43.   Thomas More ( 1483-1546)
Utopia
44.   Martinho Lutrero
Três Tratados
Conversas à Mesa
45.   François Rabelais ( 1495-1553)
Gargântua e Pantagruel
46.   João Calvino (1509- 1564)
Institutos da Religião Cristã
47.   Michel de Montaigne (1533-1592)
Ensaios
48.   William Gilbert (1540-1603)
Sobre o Imã e os Corpos Magnéticos
49.   Miguel de Cervantes (1547-1616)
Dom Quixote
50.   Edmund Spenser (1552-1599)
Protalâmio
A Rainha das Fadas
51.   Francis Bacon (1561-1626)
Ensaios
A Evolução do Aprendizado
Novo Organum
Nova Atlântida
52.   Willian Shakespeare ( 1564-1616)
Obras
53.   Galileu Galilei (1564-1642)
O Mensageiro das Estrelas
Duas Ciências Novas
54.   Johannes Kepler (1571-1630)
Epítome da Astronomia de Copérnico
Sobre a Harmonia do Mundo
55.   William Harvey ( 1578-1657)
Sobre o Movimento do Coração e do sangue nos Animais
Sobre a Circulação do Sangue
Sobre a Geração dos Animais
56.   Thomas Hobbes ( 1588- 1679)
Leviatã
57.   René Descartes ( 1596-1650)
Regras para a Direção da Mente
Discurso sobre o Método
Geometria
Meditações sobre a Primeira Filosofia
58.   John Milton (1608-1674)
Obras ( especialmente Poemas Curtos, Areopagitica, Paraíso Perdido e Samson Agonistes [Sansão Guerreiro])
59.   Molière (1622-1673)
Comédias ( especialmente O Misantropo, Escola de Mulheres, O Doente Imaginário e Tartufo)
60.   Blaise Pascal (1623-1662)
As Cartas da Província
Pensamentos
Tratados científicos
61.   Christiaan Huygens ( 1629 – 1695)
Tratado sobre a Luz
62.   Espinosa (1632-1677)
Ética
63.   John Locke (1632-1704)
Carta sobre a Tolerância
Sobre o Governo Civil ( o segundo dos Dois Tratados sobre o Governo)
Ensaio sobre o Entendimento Humano
Alguns Pensamentos sobre a Educação
64.   Jean Baptiste Racine (1639-1699)
Tragédias (especialmente Andrômaca e Fedra)
65.   Isaac Newton (1642-1727)
Philosophia Naturalis Principia Mathematica
Óptica
66.   Gottfried Wilhem Von Leibniz (1646-1716)
Discurso de Metafísica
Novos Ensaios sobre o Entendimento Humano
A Monadologia
67.   Daniel Defoe (1660-1731)
Robson Crusoé
68.   Jonathan Swift (1667-1745)
Histórias de um Tonel
Diário para Stella
As Viagens de Gulliver
Modesta Proposição
69.   Willian Congreve (1670-1729)
Assim Vai o Mundo
70.   George Berkeley (1685-1753)
Tratado sobre os Princípios do Conhecimento Humano
71.   Alexander Pope (1688-1744)
Ensaio sobre a Crítica
O Rapto da Madeixa
Ensaio sobre o Homem
72.   Charles de Secondat, barão de Montesquieu (1689-1755)
Cartas Persas
O Espírito das Leis
73.   Voltaire ( 1694-1778)
Cartas Filosóficas
Cândido
Dicionário Filosófico
74.   Henry Fielding ( 1707-1754)
Joseph Andrews
Tom Jones
75.   Samuel Johnson (1709-1784)
A Vaidade dos Desejos Humanos
Dicionário
A História de Rasselas, Principe da Abissínia
76.   David Hume (1711-1776)
Tratado sobre a Natureza Humana
Ensaios Morais e Políticos
Uma Investigação sobre o Entendimento Humano
77.   Jean Jacques Rousseau ( 1712-1778)
Discurso sobre a Origem da Desigualdade
Discurso sobre a Economia Política
Emílio
O Contrato Social
78.   Laurence Sterne (1713-1768)
Tristam Shandy
Viagem Sentimental através da França e da Itália
79.   Adam Smith (1723-1790)
Teoria dos Sentimentos Morais
Riqueza das Nações
80.   Immanuel Kant ( 1724-1804)
Crítica da Razão
Princípios Fundamentais da Metafísica moral
Crítica da Razão Prática
Doutrina do Direito
Crítica da Faculdade do Juízo
A Paz Perpétua
81.   Edward Gibbon (1737-1794)
Declínio e Queda do Império Romano
Autobiografia
82.   James Boswell (1740-1795)
Journal [Diário] ( especialmente o London Journal [ Diário de Londres])
A Vida de Samuel Johnson
83.   Antoine Laurent Lavoisier (1743-1794)
Elementos de Química
84.   John Jay (1745-1829), James Madison (1751-1836) e Alexandre Hamilton (1757-1804)
O Federalista ( também Artigos da Confederação, Constituição dos Estados Unidos e Declaração de Independência)
85.   Jeremy Bentham (1748-1832)
Uma Introdução aos Princípios da Moral e da Legislação
Teoria das Ficções
86.   Johann Wolfgang Von Goethe (1749-1832)
Fausto
Poesia e Verdade
87.   Jean-Baptiste Joseph Fourier (1768-1830)
Teoria Analítica do Calor
88.   Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831)
Fenomenologia do Espírito
Princípios da Filosofia do Direito
Filosofia da História
89.   William WordsWorth (1770-1850)
Poemas (especialmente Lyrical Ballads [Baladas Líricas], Lucy Poems [Poemas de Lucy], sonetos, The Prelude [ O Prelúdio])
90.   Samuel Taylor Coleridge (1772-1817)
Poemas (especialmente “Kubla Khan” e “A Balada do Velho Marinheiro”)
Biografia Literária
91.   Jane Austen (1775-1817)
Orgulho e Preconceito
Emma
92.   Karl Von Clausewitz (1780-1831)
Sobre a Guerra
93.   Stendhal (1783-1842)
O Vermelho e o Negro
A Cartuxa de Parma
Sobre o Amor
94.   George Gordon, Lord Byron (1788-1824)
Don Juan
95.   Arthur Schopenhauer (1788-1860)
Estudos sobre o Pessimismo
96.   Michel Faraday (1791-1867)
A História Química de uma Vela
Pesquisas Experimentais em Eletricidade
97.   Charles Lyell (1797-1867)
Princípios da Geologia
98.   Auguste Comte (1798-1857)
Curso de Filosofia Positiva
99.   Honoré de Balzac (1799-1850)
O Pai Goriot
Eugénie Grandet
100.  Ralph Waldo Emerson ( 1803-1882)
Homens Representativos
Ensaios
Diário
101.  Nathaniel Hawthorne (1804-1864)
A Letra Escarlate
102.  Alexis de Tocqueville (1805-1859)
A Democracia na América
103.  John Stuart Mill (1806-1873)
Sistema de Lógica Dedutiva e Indutiva
Considerações sobre Governo Representativo
Utilitarismo
A Sujeição das Mulheres
Autobiografia
104.  Charles Darwin (1809-1882)
A Origem das Espécies
A Descendência do Homem
Autobiografia
105.  Charles Dickens (1812-1870)
Obras (especialmente As Aventuras do Sr. Pickwick, David Copperfield e Tempos Difíceis)
106.  Claude Bernard (1813-1878)
Uma Introdução ao Estudo da Medicina Experimental
107.  Henry David Thoreau (1817-1862)
Desobediência Civil
Wladen
108.  Karl Marx (1818-1883)
O Capital (também O Manifesto Comunista)
109.  George Eliot (1819- 1880)
Adam Bede
Middlemarch
110.  Herman Melville (1819-1891)
Moby Dick
Bill Budd
111.  Fiódor Dostoiévski (1821-1881)
Crime e Castigo
O Idiota
Os Irmãos Karamázov
112.  Gustave Flaubert ( 1821-1880)
Madame Bovary
Três Histórias
113.  Henrik Ibsen (1828-1906)
Peças (especialmente Hedda Gabler, Casa de Boneca e O Pato Selvagem)
114.  Leon Tolstói (1828-1910)
Guerra e Paz
Anna Karenina
O que é Arte?
Contos
115.  Mark Twain ( 1835-1910)
As Aventuras de Huckleberry Finn
The Mysterious Stranger [O Estrangeiro Misterioso]
116.  William James ( 1842-1910)
Princípios da Psicologia
As Variedades da Experiência Religiosa
Pragmatismo
Ensaios de Empirismo Radical
117.  Henry James (1843-1916)
Os Americanos
Os Embaixadores
118.  Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900)
Assim Falou Zaratustra
Além do Bem e do Mal
Genealogia da Moral
Vontade de Potência
119.  Jules Henri Poincaré ( 1854-1912)
Ciência e Hipótese
Ciência e Método
120.  Sigmund Freud (1856-1939)
A Interpretação dos Sonhos
Conferências Introdutórias à Psicanálise
121.  George Bernard Shaw ( 1856-1950)
Peças ( e seus prefácios, especialmente Homem e Super-homem, Major Barbara, César e Cleópatra, Pigmalião e Santa Joana)
122.  Max Plack (1858-1947)
Origin and Development of the Quantum Theory [Origem e Desenvolvimento da Teoria Quântica]
123.  Henri Bergson ( 1859-1941)
Time and Free Will [Tempo e Livre-Arbítrio]
Matéria e Memória
A Evolução Criadora
As Duas Fontes da Moralidade e da Religião
124.  John Dewey (1859-1952)
Como Nós Pensamos
Democracia e Educação
Experiência e Natureza
Lógica – a Teoria da Investigação
125.  Alfred North Whitehead (1861-1947)
Introdução à Matemática
A Ciência e o Mundo Moderno
Os Fins da Educação e Outros Ensaios
Aventuras das Ideias
126.  George Santayana (1863-1952)
A Vida da Razão
Skepticism and Animal Faith [ Ceticismo e Fé Animal]
Person and Places [ Pessoas e Lugares]
127.  Lênin (1870-1924)
O Estado e a Revolução
128.  Marcel Proust (1871-1922)
Em Busca do Tempo Perdido
129.  Bertrand Russell (1872-1970)
Os Problemas da Filosofia
Análise da Mente
An Inquiry into Meaning and Truth [ Uma Investigação Sobre o Sentido e a Verdade]
Human Knowledge Its Scope and Limits [ O Conhecimento Humano, seu Alcance e seus Limites]
130.  Thomas Mann (1875-1955)
A Montanha Mágica
José e seus Irmãos
131.  Albert Einstein ( 1879-1955)
O Significado da Relatividade
Sobre o Método da Física Teórica
A Evolução da Física (com Leopold Infeld)
132.  James Joyce (1882-1941)
Os Mortos (de Dublinenses)
Retrato do Artista quando Jovem
Ulisses
133.  Jacques Maritain (1882-1973)
Arte e Escolástica
Os Graus do Conhecimento
Os Direitos do Homem e a Lei Natural
Humanismo Integral
134.  Frank kafka (1883-1924)
O Processo
O Castelo
135.  Arnold Toynbee (1889-1975)
Um Estudo da História
A Civilização em Julgamento
136.  Jean-Paul Sartre (1905-1980)
A Náusea
Entre Quatro Paredes
O Ser e o Nada
137.  Alexander Soljenítsin (1918-2008)
O Primeiro Círculo
Pavilhão dos Cancerosos 

Fonte: COMO LER LIVROS MORTIMER ADLER É REALIZAÇÕES

segunda-feira, 28 de abril de 2014

DECADÊNCIA SOCIAL

   Cyril Northcote Parkinson (1909-1993) descreveu seis características da decadência social, seis estágios pelos quais passam as civilizações rumo a dissolução. Eis tais estágios, apresentados de modo muito resumido:


1. A crescente centralização política.

2. O crescimento imoderado da tributação, que se transforma no modo de interferência governamental no comércio, na indústria e na vida social. A tributação elevada sempre foi prelúdio de desastre.

3. Crescimento de um pesado sistema de administração central. Uma máquina que se move vagarosamente e em direções involuntárias.

4. A promoção das pessoas erradas. No labirinto da burocracia política, ter ideias originais seria uma barreira ao sucesso.

5. O ímpeto de esbanjar. Gastos públicos que serão pagos por uma geração futura.

6. O enfraquecimento da razão e da vontade de uma grande parte da população. 




Fonte: Russel Kirk. A Política da Prudência, p 263. Editora: É Realizações.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

quarta-feira, 16 de abril de 2014

VALOR E SIGNIFICADO: UMA PEQUENA CONFUSÃO

"Não é papel do indivíduo, preso na própria vaidade, determinar se prefere a justiça ou a injustiça; não é o seu papel decidir se a prudência ou a imprudência lhe agrada mais."


Ao ler as palavras de Russel Kirk sobre o deserto educacional que existe hoje, percebi nitidamente que desde criancinha fiz parte de uma escola denominada: escola positivista. Neste ambiente, destaca-se dentre muitas coisas, a preocupação em aprender técnicas, a excessiva preocupação com a socialização, e uma preocupação exagerada com os certificados, os títulos e diplomas.
Fui ensinado nesta perspectiva e acredito que grande parte de quem frequentou os bancos escolares nas décadas de oitenta também passou por este ambiente doutrinário.
Além disso, outra característica do ambiente escolar que frequentei era a indisciplina, hoje provavelmente está bem pior. A indisciplina que hoje é percebida no ambiente escolar, às vezes ultrapassa os limites das escolas indo parar nas delegacias, isto certamente indica alguma coisa e são muitas as opiniões por aí.
Como não adianta apenas opinar sobre um assunto sem antes tentar compreender o que acontece efetivamente, ou pelo menos, entender parte desta realidade, buscar o que os grandes estudiosos dizem pode ajudar.
Antes de ser uma mera desordem comportamental, a indisciplina caminha ao lado de uma desordem da linguagem no meio educacional.
O que tem a linguagem com toda essa estória? As artimanhas da linguagem são desvendadas por Russel Kirk, que inicialmente vai diferenciar duas palavras muito usadas na educação, “valores” e “significado”, estes termos atualmente são usados sem critério.
A transmissão de significado é uma coisa, a transmissão de valores é outra bem diferente. Dissimular o uso da palavra valor como sendo “norma”, “princípio”, “verdade” é um artifício dos doutrinários positivistas, que negam existir qualquer significado moral de caráter permanente e transcendente. Nos EUA o uso do termo “valores” educacionais foi inserido pela escola instrumentalista, que pretende substituir as pressuposições religiosas sobre a existência humana, que antes eram aceitas como verdadeiras nas escolas.
“Um valor, da forma como os pedagogos empregam o termo, é uma preferência pessoal, que gratifica talvez a pessoa que a ele adere, mas que não tem nenhum efeito moral obrigatório para as outras. ‘Desde que a quantidade de prazer permaneça igual, boliche é tão bom quanto poesia’ na famosa frase de Jeremy Bentham (1748-1832). Escolha os valores que quiser, ou ignore-os todos: é uma questão do que dá, ao indivíduo, o máximo prazer e a mínima dor.
Etiénne Gilson (1884-1978) nota que os positivistas promovem deliberadamente o conceito de ‘valores’ porque negam que as palavras, ou os conceitos por elas representados, tenham significado real. Portanto a palavra ‘honra’ poderá possuir algum valor para alguns, mas ser repelente para outros: na visão do positivista, a palavra ‘honra’ não tem sentido próprio, pois não existe honra, sem desonra: tudo é na verdade sensação física, agradável ou dolorosa. Se a ‘honra’ tem um valor ilusório, use-a; se não gostas de ‘honra’, descarte-a.
“Foi-se o tempo em que cada criança em idade escolar estava familiarizada como o catálogo das sete virtudes, teologais e cardeais, bem como os sete pecados capitais. Os positivistas e um bom número de outras pessoas negam, hoje, a existência desses sete pecados capitais, ou qualquer outro pecado. Quanto às virtudes – ora, gostaríamos de transformá-las em ‘preferências de valor’, sem imperativo moral algum para sustentá-las; mas a justiça, a fortaleza, a prudência e a temperança não são meramente ‘valores’; nem o são a fé, a esperança e a caridade. Não é papel do indivíduo, preso na própria vaidade, determinar se prefere a justiça ou a injustiça; não é o seu papel decidir se a prudência ou a imprudência lhe agrada mais. É verdade, o indivíduo pode assim decidir e agir, trazendo danos a outros e a si mesmo; mas é função da educação transmitir uma herança moral: ensinar que as virtudes e os vícios são reais, e que o indivíduo não está livre para brincar com os pecados conforme achar melhor.”
É muito evidente que Russel kirk define muito bem o assunto, e estas palavras certamente estão além de uma mera opinião, são frutos de estudos. E como estamos no país onde o diploma vale muito, é importante lembrar que Russel Kirk possuiu muitos, foi mestre em História pela Duke University e doutor em Letras pela University of St. Andrews na Escócia, também foi ao longo da vida agraciado com 12 doutorados honoris causa.


Fonte: Russel Kirk. A Política da Prudência, p 309. Editora: É Realizações.

sábado, 12 de abril de 2014

UM PEQUENO EXERCÍCIO


"Ter uma boa memória é uma grande consolação"


Atualmente a quantidade de recursos tecnológicos que armazenam e recuperam informações, aumentam a praticidade da vida diária, e podem até nos levar a minimizar a importância da nossa própria capacidade de memorização. No entanto, para certos indivíduos a memorização ainda é um elemento fundamental.
O breve relato sobre a memória feito pelo escritor George Steiner exemplifica bem: 

...tive a sorte de ter, toda a minha vida, uma memória fotográfica. No Liceu francês isso era treinado, tal como se treinam os músculos. Decorar, decorar. A isso devo tudo. Ainda hoje o faço. Há poucos dias em que não aprendo algo de cor. Treino a minha memória. Faz pouco tempo que sofri uma queda, quando fazia uma série de palestras na Escócia. Bati com a cabeça. Naquele momento de confusão, tentei dizer os 12 meses do calendário revolucionário francês, de forma correta. Quando vi que ainda era capaz, tentei uma lista de compositores mortos, e uma lista de compositores que mataram alguém. A minha memória estava boa e fiquei mais calmo. É um exemplo de consolação que um pequeno e simples exercício pode dar. Ter uma boa memória é uma grande consolação. Na minha profissão é um verdadeiro pesadelo quando a memória começa a falhar. Para quem se dedica a literatura e investigação é uma sentença de morte.”

quarta-feira, 9 de abril de 2014

A RECLAMAÇÃO


Certa vez, um velho treinador irritado com o resultado do seu time, reuniu os seus jogadores e questionou:
“Pessoal como é que é?! O que tá acontecendo!?”
Ele estava à frente do time beisebol de uma escola americana (High School) por 30 anos.
Os últimos jogos foram péssimos. No time, uns prometeram perder alguns quilos, outros concordaram respeitar o horário de treino, todos prometeram mudar, mas passado um mês das promessas, além de nada ter modificado os resultados dos jogos continuavam negativos.
Desta vez, diante da advertência do técnico o grupo se esquivou, e o inesperado veio em seguida: uma enxurrada de reclamações dos pais destes alunos, seguida de uma forte pressão para que o diretor demitisse o treinador.
O curioso imbróglio ocorreu na mesma semana em que vitorioso treinador receberia uma homenagem dos ex-alunos, os veteranos construíram uma nova quadra esportiva, e esta receberia o seu nome. Uma homenagem dentre tantas que recebeu ao longo da carreira, durante trinta anos o treinador foi um símbolo de disciplina naquele colégio, mas nos últimos anos as coisas mudaram.
O episódio diz muita coisa, reflete em grande parte a transformação dos valores na sociedade, fenômeno observado nas últimas décadas (principalmente à partir da década de 1960). Mas este é só o início da história contada no livro, Treinador, do escritor Michael Lewis que também foi um dos ex-alunos do treinador.

sábado, 5 de abril de 2014

ENFRENTAR UMA BOA OBRA




A ideia de que a leitura é uma atividade importante para aquisição de conhecimento, possivelmente é unânime.  Ninguém discorda sobre os benefícios provenientes do ato de ler. No entanto, a mera concordância superficial com essa afirmativa pode ocultar uma maior profundidade sobre as possibilidades que a leitura envolve.
Quando alguém afirma os benefícios da leitura, são poucos os que interrogam: Por que é tão importante assim? Vale a pena ler tudo que foi escrito por aí?
Durante muito tempo pensei genericamente sobre leitura, lia apenas o que me parecia agradável, lia qualquer coisa que esbarrava em algum interesse momentâneo, e ao final concluía que estava aumentando meu conhecimento de alguma forma.
A minha ideia primária e fútil sobre leitura provavelmente ofenderia a inteligência de Mortimer Adler, que foi um dos maiores entusiastas do tema leitura dos clássicos. Nos Estados Unidos o seu livro, How to read a book foi um sucesso monumental de vendas, neste livro pretendia elevar o poder de leitura do povo americano, incentivando e ensinando como ler os livros clássicos. No Brasil, Olavo de Carvalho e José Monir Nasser empenharam esforço semelhante na tentativa de divulgar a leitura dos clássicos da literatura, desde a década de oitenta.
Então:
Por que devemos ler (os clássicos)? Primeiro, você aprimora a sua capacidade de leitura se enfrentar um boa obra; segundo, a longo prazo um bom livro traz ensinamentos sobre o mundo e sobre você mesmo. Isto quer dizer, você aprende ao mesmo tempo a ler melhor e aprende sobre a vida, adquirindo uma consciência mais apurada.
 Os bons livros, ou os clássicos, que são aqueles que foram cuidadosamente produzidos por seus autores, aqueles que transmitem ao leitor intuições importantes sobre assuntos de interesse duradouro para as pessoas por tratar de temas universais.  
Como começar? Diante da quantidade de livros que existe e não para de crescer, não é tarefa fácil escolher os que ampliam a inteligência. Adler facilita o nosso trabalho ao listar alguns destes livros, em “Como ler livros” destaca 137 clássicos, dentre estes:
1. Homero (século IX a.C)- Ilíada, Odisseia
2. Dante Alighieri ( 1265 – 1321)- Vida Nova, Sobre a Monarquia e A Divina Comédia
3. Miguel de Cervantes (1547-1616)Dom Quixote
4. Willian Shakespeare (1564-1616)Obras completas
5. Molière (1622-1773) Comédias: O Misantropo, Escola de Mulheres, O Doente Imaginário e Tartufo
6. Samuel Johnson (1709-1784) A vaidade dos desejos humanos
7. Charles Dickens (1812-1870) As aventuras do Sr. Pickwick, David Coperfield e Tempos difíceis
8. Herman Melville (1819-1891) Moby Dick
9. Fiódor Dostoiévski (1821-1881) Crime e Castigo, O idiota, Os irmãos Karamázov
10.    Leon Tolstói (1828-1910) Guerra e Paz
11.    Thomas Mann (1875-1955) A Montanha Mágica

12.    Franz Kafka (1883-1924) O Processo 

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O QUE É DESESPERO? R: D = S - S


“Enquanto se busca a felicidade, faz-se dela uma meta jamais alcançada. Quanto mais almejada mais distante ela fica.”

Viktor Frankl (1905-1997) passou por uma das experiências humanas mais brutais da história do século XX. Durante a Segunda Guerra Mundial foi sobrevivente de Auschwitz, perdeu todos os seus familiares, só lhe restando a irmã. Após a guerra, Frankl desenvolveu muitos estudos sobre o sentido da vida. Escreveu em 1955, “Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração”. Na entrevista abaixo, explica com profundidade, alguns temas espinhosos:

2:25 – O que é desespero?
4:20 – Responde a pergunta: Por que comigo?!
5:35 – Existe escolha perante as situações?
6:36 – Um exemplo de sentido frente ao desespero.
10:20 – Explica a “pegadinha”: em busca da felicidade
11:56 – Sobre o que aprendeu em Auschwitz
15:42 – Sobre: a dor, a morte e a culpa
19:20 – Sobre as pessoas que sofrem mais que as outras
19:56 – O crescente vazio existencial no mundo
22:53 – É preciso sofrer para acha um sentido?
26:53 – O princípio adotado por Victor Frankl